quinta-feira, 20 de agosto de 2009

1ª JORNADA - POBREZA FRANCISCANA









ESTADO, FPF, CA E DIRIGENTES
SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA SITUAÇÃO DO FUTEBOL


No futebol, não há espectáculo sem golos, salvo raríssimas excepções em que as equipas entram em campo deliberadamente ao ataque, jogando o jogo pelo jogo, criando imensas situações de golo mas que por manifesta maré de azar ou pelos tais imponderáveis do futebol, a bola não entra porque bateu no poste, na barra, saiu ligeiramente por cima ou ao lado, ou então o guarda-redes fez uma extraordinária defesa, o central, in-extremis, evitou que a bola ultrapassasse a linha de golo, etc., etc.

Há realmente alguns jogos espectaculares, mesmo sem golos mas o que realmente entusiasma e faz vibrar numa partida de futebol, são os golos, de preferência muitos. Os golos são o tempero que torna aliciante e apetitoso o futebol, tal como o sal dá um paladar mais gostoso à comida.

Na jornada inaugural, em oito jogos, apenas uma vitória pela margem mínima e sete empates, sendo que quatro foram 1-1 e três foram 0-0.

Enquanto que nas Ligas Europeias há uma evolução de métodos técnico/tácticos que faz dos jogos de futebol um espectáculo cada vez mais atractivo e empolgante, em que os adeptos acorrem em massa aos estádios, em Portugal, o fenómeno é inverso e continuamos mergulhados nesta miséria franciscana, em que se marcam nove golos em oito jogos e, segundo rezam as crónicas, a qualidade dos espectáculos foi deprimente.

A verdade é que há responsáveis pela fraca qualidade do futebol em Portugal e na linha da frente, surgem os dirigentes federativos e o Estado, os dirigentes dos Clubes e a estrutura da arbitragem que permite aos seus membros, jornada após jornada, uma interferência negativa e despudorada na construção dos resultados. Para além disso, as suas desastradas actuações, descaradamente parciais, premeiam e beneficiam, quase sempre, as equipas que queimam tempo, promovem a simulação e o anti-jogo, recorrendo a todo o tipo de infracções, para desespero das equipas que pretendem apenas jogar bom futebol, marcar golos e, se possível, alcançar a vitória.

Há de facto um conjunto de árbitros que dão nas vistas pela negativa e sobre eles, só posso fazer a seguinte apreciação: ou são realmente péssimos profissionais e não conseguem fazer melhor ou então actuam deliberadamente, com intenção de favorecer umas equipas e prejudicar outras.

Quanto aos dirigentes das estruturas federativas e dos clubes, eles são os principais responsáveis porque não estão interessados em criar regras claras que acabem de vez com situações de impunidade que minam e descredibilizam o futebol.

Da situação de impunidade e das lacunas da lei, tiram proveito os chico-espertos, os batoteiros e os falsos desportistas, em benefício dos seus clubes e, nesse sentido, não estão interessados em alterar sequer uma vírgula aos actuais regulamentos.

Que uma boa parte dos dirigentes dos clubes, por uma questão de oportunismo, não estejam interessados em mover uma palha para credibilizar o futebol, não nos causa qualquer surpresa, o que verdadeiramente nos espanta, é que os órgãos federativos, em estreita colaboração com a Secretaria de Estado do Desporto, não sejam capazes de o fazer, legislando e aprovando as leis que forem necessárias para acabar de vez com o trabalho sujo dos mandantes do nosso futebol.

Na actual situação, um ou outro clube colhe benefícios mas a maioria é prejudicada e o futebol vai "morrendo" aos poucos, perdendo toda a capacidade de mobilizar e arrastar multidões, acabando os estádios por ficar praticamente vazios.

Haverá alguém com responsabilidade, capacidade e coragem para salvar o desporto-rei da agonia em que se encontra, devolvendo-lhe a verdade desportiva que é o seu principal pilar de sustentação?

É imperioso que apareça alguém a dizer que sim.

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